| A leishmaniose e seus sintomas |
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![]() A leishmaniose se manifesta em dois tipos: visceral e tegumentar americana — este último tipo, registrado com mais frequência no Nordeste. A Médica Veterinária Micheline Pimentel voluntária da AMADA, explica que a leishmaniose é causada pelo protozoário leishmania. O protozoário é encontrado em roedores, como ratos silvestres, gambás, bichos-preguiça. O homem é infectado acidentalmente através da picada da fêmea de um mosquito conhecido como mosquito-birigui ou mosquito-palha — o mosquito pica o animal infectado e depois o homem, transmitindo o protozoário. “Não é uma doença que se transmite pelo contato, apenas pela picada do mosquito”, salienta Micheline Pimentel. ![]() A leishmaniose tem sua ocorrência geralmente em áreas de desmatamento, na zona rural ou próximo de bairros em expansão. Com a expansão urbana e o desmatamento, outros animais passaram a apresentar a presença do protozoário, como o cachorro e o cavalo. “Na cidade, a leishmaniose aparece em áreas com acúmulo de lixo, com muitos ratos”, diz a veterinária. ![]() Sintomas — A leishmaniose pode ser identificada por uma ferida característica que se forma no local onde o mosquito pica — geralmente em áreas “descobertas” da pele, onde não há roupa. Após a picada, surge uma bolinha vermelha que evolui para a ferida e forma uma lesão na pele. “Em geral, a ferida não dói nem coça”, diz a veterinária. O que identifica a lesão como leishmaniose são as bordas emolduradas — em relevo, elevadas, avermelhadas. A leishmaniose tem cura, já que o tratamento elimina o protozoário do corpo. Após exame — normalmente biópsia e reação de pele — e a confirmação da doença o tratamento é iniciado com um medicamento específico, controlado pelo governo. Por esse motivo, o tratamento da leishmaniose só é feito na rede básica de saúde. Diante das dúvidas, proprietários de animais de estimação me ligam perguntando sobre leishmaniose, verifiquei como a população de São Luís pode tirar algumas dúvidas - Se o exame sorológico realizado pela der positivo, quer dizer que meu cão tem mesmo leishmaniose?Não necessariamente. O diagnóstico da Leishmaniose é complexo e envolve a realização de mais de um exame laboratorial associado ao exame clínico do animal feito por veterinário. Por isso é importante realizar ao menos outro exame como contraprova. No exame sorológico realizado há problemas de cruzamento com outras doenças. Até verminoses comuns e erliquiose (doença do carrapato) podem dar um "positivo" no exame sorológico. Assim, seu cão pode ter apenas doença do carrapato ou vermes comuns e testar positivo para Leishmaniose!! E, independentemente de reações com outras doenças, todos os exames têm uma margem de erro.
Mas que exame seria essa contraprova?O exame de contraprova deve ser feito por métodos parasitológico (citologia) e molecular (PCR), com material coletado da medula óssea ou linfonodo do animal.
- Se o exame sorológico do meu cão deu positivo, os agentes de saúde podem entrar em minha casa e levá-lo para matar?NÃO. A Constituição Federal, que está acima de qualquer lei distrital e federal ou portaria, prevê que sua casa é inviolável. Ou seja, qualquer entrada não autorizada em sua casa requer ordem judicial. O Superior Tribunal de Justiça decidiu em uma Ação Civil Pública, proposta no Mato Grosso do Sul, que animais só podem ser mortos com o expresso consentimento do proprietário e após a realização de exame como prova e de contraprova. Se algum agente de saúde o ameaçar, isso é abuso de poder. A decisão de sacrificar um animal é do proprietário, e algo muito sério.
- O que eu posso fazer para meu cão não ser infectado?VACINE seus cães – a vacina oferece de 80% a 95% de proteção, ou seja, a chance de um cão vacinado ser infectado pela doença é mínima. Existem estudos que dizem, inclusive, que mosquitos-palha (flebótomo) que picam cães vacinados podem perder a ação infectante. Portanto, a vacina também é um instrumento de combate à doença.
A própria Organização Mundial de Saúde recomenda o uso dessas coleiras nos cães como medida para combater a doença.
- Ouvi dizer que a vacina é ineficaz, deixa o animal soropositivo e que o Ministério da Saúde não a autorizou. Ao ser vacinado, o animal não se torna um transmissor da doença para o mosquito-palha?Nenhum animal (ou humano) contrai uma doença ao ser vacinado! Ao contrário, a vacina é mais uma proteção. Ela estimula uma reação de defesa do organismo contra o agente causador da doença.
O registro de vacinas de uso animal é realizado apenas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e não pelo Ministério da Saúde (MS). O que o MS não recomenda (ainda) é o uso da vacina canina como medida de controle da leishmaniose visceral humana. |
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