| Síndrome Urológica Felina |
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![]() Gostaria de deixar uma breve explanação sobre essa Síndrome Urológica Felina que acomete os gatos e que angustia seus donos que eles têm que enfrentar essa situação com seu animal.
Ao considerarmos uma síndrome pelos inúmeros sintomas que fazem parte dessa alteração urinária, não sendo, portanto, uma doença em si, mas um conjunto delas. Onde cada uma delas nos exige condutas terapêuticas particulares conforme os sinais e gravidade. Há muitos anos atrás, talvez, uns 15 anos, argumentava-se muito que essa alteração (principalmente a obstrução uretral) era ocasionada pelo excesso de magnésio nas rações, que é um componente chave da estruvita, e que qualquer aumento nos níveis de magnésio levava a um aumento da excreção do mesmo , precipitando os cristais de estruvita - que podem se formar na urina. Com o decorrer do tempo e com variadas pesquisas sobre essas alterações chegou-se a conclusão que essa situação era apenas um dos fatores envolvidos.
Não tenho dúvidas que o maior fator hoje para que os felinos desenvolvam essa síndrome seja, em seu potencial maior, o estresse (espécie essa muita sujeita a ele) associado a uma baixa atividade física como um todo. Outro fator é a obesidade que advém dessa pouca atividade física pelo confinamento junto ao dono. A obesidade tem como causa também, sem dúvida nenhuma, ao fato dos felinos serem castrados. Mas a castração veja bem, é necessária ao bem viver do gato junto à espécie humana. Do contrário, esse instinto da reprodução, que é muito forte nos animais, seria forte impedimento de uma relação harmoniosa entre o gato, seu dono e seus meios ambientes em comum.
Sou uma profissional que defendo fortemente a castração nos cães e gatos como forma de boa convivência relacional inter espécie. E isso não é “desumano”, como defendem em seus pontos de vista alguns donos de animais. A partir do momento que a nossa civilização cresceu tanto a ponto de encararem os cães e gatos como parceiros fortes de companhia social, isso redundou numa aproximação maior junto ao homem e em um inevitável confinamento desses animais. E com essa estreiteza relacional onde eles são impedidos de liberarem as suas naturezas instintivas, se retirarmos um instinto de forte projeção nas suas condutas comportamentais estaremos contribuindo para redução do estresse que surge dessa “privação” instintiva que ali está presente.
Então, frente a essa síndrome, não podemos levar em conta a castração como um fator a ser evitado para amenizar as doenças do trato urinário inferior dos gatos. Até porque, há outras maneiras de compensarmos essa situação de indução da obesidade pelo ato da “esterilização” dos gatos. E a principal delas é o controle e bom manejo alimentar dos felinos associado a situações ambientais onde possamos (dentro de cada ambiente em particular, evidente) induzi-los a mais atividades físicas.
Tenho gato como animal de estimação (POTIRA) castrada, ela está sempre em atividade mantendo suas características instintivas, como subir em árvores, caçar roedores e insetos, ou seja, têm uma vasta relação social como um todo, já que vivem no estilo de vida que denomino de “liberdade vigiada”. Além disso, oportunizo uma boa forma alimentar e uma boa ingestão de água, tanto quanto, estimulo o consumo hídrico em si, mantendo seus vasilhames com água fresca o dia todo. Com simples manejos aos nossos gatos conforme nossa capacidade de tempo e ambiente podemos evitar ou prevenir situações que possam precipitar essa síndrome.
A etiologia em si pode considerar ainda desconhecida, até porque é caracterizada como uma síndrome onde inúmeros sintomas estão envolvidos e várias situações podem predispor a essa situação clinica.
Sinais clínicos que podemos associar a essa síndrome: hematúria (sangue na urina), frequência aumentada na micção, disúria (dor) ou anúria (sem eliminação da urina). Dentro dessa ampla descrição podemos dividir a síndrome em gatos com cistite/uretrite e sem obstrução ao fluxo urinário, e gatos com obstrução uretral parcial ou completa. Naqueles que apresentam a forma obstrutiva completa levam a tentativas crescentes de urinar, desconforto abdominal, lambedura da região do períneo (genitais). Se esse gato com essa forma de sintomas não for atendido em tempo hábil – já que está com retenção urinária total – pode vir a morrer nem espaço de 48 à 72 horas por complicações que levam a uma insuficiência renal. Há algumas situações que no estágio inicial desses sintomas alguns donos confundem esse quadro comportamental como sendo constipação.
Os machos são mais propensos a desenvolverem a forma obstrutiva por terem anatomicamente uma uretra mais longa facilitando que ali se depositem os tampões de muco e os cálculos. As fêmeas desenvolvem a forma de cistite. Manejos para prevenção da SUF: Evitar o estresse ao gato (passeios de carro, ambientes agitados e desconhecidos aos seus sentidos e mudanças abruptas nas suas rotinas), bandejas sanitárias sempre limpas ou usar mais de uma bandeja quando o proprietário passa muitas horas fora de casa sem poder fazer a higienização da mesma, provocar atividades físicas com seu gato através de brincadeiras de correr, pular, jogar bolinhas e aguçar a sua curiosidade ambiental como um todo, controlar o peso, estimular a ingestão de água fresca trocando várias vezes a água do pote e, se possível, a introdução de alimentos úmidos junto a ração seca. E que essa ração seca seja de boa qualidade. E ração de boa qualidade aos gatos são aquelas que priorizam em maior quantidade as proteínas e gorduras de origem animal na sua composição. Não as mais caras e cheias de “plus”, necessariamente.
Assim o meu objetivo maior com esse site é dar suporte de conhecimento sobre variados assuntos aos donos de cães e gatos. Até porque, não acredito nos profissionais que se baseiam apenas em busca de pesquisa na internet para bem conduzir seus estudos. Se muitos agem assim, penso que deviam rever essa forma de buscar o conhecimento teórico; pois a internet deixa a desejar quando se trata de um estudo profundo e sério sobre situações na saúde clínica de pacientes. ![]() Artigo da Drª Micheline Pimentel Médica Veterinária/AMADA |
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